terça-feira, 24 de outubro de 2017
RECORTES
RECORTES
dedos de sonho
escavo o passado
encontro de mim
pedaços
pequenos
o tempo
pela vidraça fria
me roça os ombros
tombo
perdida
entre faces várias
ventos
emaranham meus cabelos
caracóis da memória
cintilam
labirinto a dentro
atento
meu rosto noturno
se alvoroça
ah, os desmedidos olhos
das corujas
adeus
meu perfil diuturno
se maquila breve:
louro será o dia
nesse desejo agudo
de girassóis
Noite poema para Nara
NOITE
Amanhece
tudo em dor
mesmo que o sol
se incline sobre o dia
ou floresçam jasmins
sob tua janela
Amanhece
noite fosse
nos teus olhos
não mais o riso
nem respiras
que tudo não se rompa
num único grito
Mas teu nome fica
fosses navio
caravela
soa bem claro
Nara
como se dia fosse
como se lua n´água
Nara
tua diferença intempestiva
tua imortalidade 20-07-96
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Para Gilberto Gil ADEUS AO FILHO
Morreu um deus
nascido de tua costela
sopro azul
de tua voz
Luz e sombra
ponte e torre
ontem
não mais que
ontem...
Hoje
amanheceu
sem futuro
teu tronco pende
vulnerável e
oco
Desmedido o grito
-de cristal-
que te esgota
Caminhas pelo deserto
Tua dor o vela
fosses a mãe:
és o pai
Órfão de teu
próprio filho
choras
como choram as lobas
as gaivotas cegas
Aquieta-te
repousa em meu peito
desfeito em palavra
Tua dor
é minha
do mundo
nossa...tanta...
domingo, 22 de outubro de 2017
Sorriso
Meu olhar sorri
por te ver risonho
e com teu sorriso
minh'alma sonha
sonha e nele vê
uma recompensa
mas meu olhar não vê
o que minh'alma pensa
18/12/89
por te ver risonho
e com teu sorriso
minh'alma sonha
sonha e nele vê
uma recompensa
mas meu olhar não vê
o que minh'alma pensa
18/12/89
LUZ
LUZ
folhas
trêmulas de vento
cegas libélulas
amontoadas
enluaradas asas
luminoso nada
nostálgicas
de seu vestido
verde
eu e mim
devindo nada
folha
bolha
em liberdade. 20- 07-96
Existência
EXISTÊNCIA
para Ivana Medeiros
serena
flecha
movente
esguia
doçura
em repouso
gótica
relação
de partes
o ser
de argila
me escapa
busco
na embriaguez
da cristaleira
vã
reinvenção
na palavra 30-05-96
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Por Amor Poemas
A DEUS para J.P. Leme
in memoriam
Que não me mate
essa dor
de saber-te
indo
Que não me esmague
essa catedral
feita
de espanto
Que não me fira
essa mão inútil
diante
da morte
Que se amanse e cale
a matéria louca
a devorar-te
o fôlego
Que me acudam os deuses!
Que te acudam os deuses!
Que chegada a hora
seja teu grande amor a cerrar-te
as
pálpebras
Que depois da hora
não se me esvaia
essa fé absurda
na VIDA
18-12-90
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